Alterações fisiológicas após o parto

Agora que o seu bebé nasceu, o seu corpo ainda não voltou ao que era e observam-se muitas alterações fisiológicas nesta fase. As mulheres passam para segundo plano pois estão centradas em cuidar do seu bebé. No entanto, é importante ficar a conhecê-las para não ser apanhada desprevenida e saber como lidar com elas de forma calma e sem ansiedades.

Após o parto, e com a saída da placenta, ocorre um declínio acentuado de algumas hormonas (estrogénio e progesterona). Consequentemente há alterações em diversos sistemas do corpo (reprodutivo, cardio respiratório, gastro intestinal, endócrino, musculo esquelético,…). Não se assuste pois é o seu corpo a regressar ao normal.

Por esta altura, a produção de ocitocina e de prolactina aumenta exponencialmente. A ocitocina vai facilitar a involução uterina, o processo de vinculação entre a mãe e o bebé e a saída do leite. Já a prolactina será fundamental para a produção de leite. Estas 2 hormonas são importantíssimas durante a amamentação. Ao 4º ou 5º dia dá-se a “subida do leite” (antes colostro) e é natural que as suas mamas fiquem inchadas e avermelhadas. Quanto maior for a produção de ocitocina, mais fácil será a saída do leite.

Logo após o parto, pode sentir náuseas ou vómitos (em resposta aos anestésicos), obstipação (pelo relaxamento muscular, a falta de ingestão de líquidos ou pela dor provocada pela episiotomia) e hemorroidas.

Os volumes sanguíneos vão regressar gradualmente ao normal (cerca de 2 semanas após o parto), bem como, se observa uma melhoria da função respiratória. Portanto, agora voltará a respirar melhor.

No inicio, pode haver alguma retenção de urina pelo efeito da epidural ou pelo uso de cateter, no entanto, o débito urinário depressa aumenta para ajudar a eliminar os líquidos retidos durante a gravidez. Por outro lado, cerca de 43% das mulheres pode ter a longo prazo incontinência urinária. Por isso, há que prevenir esta situação apostando na reeducação perineal.

Claro está que o sistema reprodutivo foi aquele que mais alterações sofreu durante a gravidez. Gradualmente, o útero regressa ao seu tamanho inicial e após 10 dias já se encontra na sua posição pélvica original e há 6ª semana encontra-se totalmente involuído. Ocorre uma limpeza de todo o interior do útero através de hemorragias (lóquios), cuja duração varia de mulher para mulher. Pode sentir também as “dores tortas” sobretudo durante a amamentação (dor no útero provocada pelas suas contrações, o que significa que o útero se encontra a regressar ao normal). O colo do útero encontra-se fechado ao final da 1ª semana e os ovários começam lentamente a funcionar (a não ser que esteja a amamentar). A vagina poderá estar edemaciada nas 2 primeiras semanas, a lubrificação diminui e a sexualidade pode estar alterada nesta fase (pelo medo da dor ou receio). O períneo também se encontra bastante afetado, podendo haver dor, edema e vai sofrer um processo de cicatrização (se houver episiotomia). É extremamente importante iniciar a sua contração o mais rápido possível.

Por último, não nos podemos esquecer do que o peso das suas mamas aumenta logo ficará mais curvada para a frente. Há também alguma fraqueza abdominal o que leva à diástase abdominal. Torna-se fundamental a prática de exercício físico para recuperar a forma física e evitar o agravamento desta alterações.

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