A sua cicatriz da cesariana

Após o parto por cesariana, uma das questões que preocupa as mães é a aparência da sua cicatriz. É comum ficar-se ansiosa sobre o processo de cicatrização e qual será o aspeto final da mesma.

Um corte na pele e/ou músculo e/ou órgão leva cerca de 4 semanas a cicatrizar na totalidade. É normal que durante esse período tenha algumas sensações como comichão, picadas, pontadas, alteração da sensibilidade. Todas estas sensações são perfeitamente normais e resultado do processo de cicatrização.

Durante o período de cicatrização deve estar atenta a: comichão intensa, picadas fortes, febre, ardor intenso. Neste caso será prudente contactar de imediato o seu obstetra.

Com o passar dos meses é comum a cicatriz ficar avermelhada durante alguns meses, o que nos dá a indicação de que o processo de cicatrização ainda se encontra em fase ativa e de amadurecimento. Uma cicatriz dita “normal”, deve ser fina, sem relevo, de coloração semelhante à da pele local tornando-se, por vezes, quase imperceptível. Esta evolução poderá ir de 3 a 18 meses.

É importante reter que cada pessoa tem a sua “qualidade de cicatrização”. Se já é portadora de cicatrizes deve observá-las e perceber qual a tendência cicatricial que apresenta. Apesar de haver uma tendência genética na cicatrização todo este processo pode ser acelerado através de algumas técnicas de fisioterapia que poderão influenciar positivamente os resultados finais!

No entanto, para além da aplicação destas técnicas (massagem, mobilização, aplicação de kinesio tape) existem alguns cuidados que deve ter com a sua cicatriz. Deve aplicar um creme hidratante na cicatriz diariamente. Pode começar a mobilizar a cicatriz logo que veja que o tecido está fechado e já não existam pontos. Não deve carregar pesos e fazer esforços físicos nas primeiras semanas (espere pela consulta de revisão). Deve colocar a mão na cicatriz e comprimir suavemente ao evacuar ou quando tossir nos primeiros 7/15 dias. Atenção à depilação (principalmente com cera) na zona da cicatriz, nas primeiras 4 semanas. Se for urgente fazer a depilação poderá utilizar uma gilete caso já não existam pontos ou crostas. Deve evitar expor a sua cicatriz ao sol nos primeiros 6 meses e após este período deve colocar sempre protetor solar.

Se a sua cicatriz é espessa e elevada, dura em algumas regiões, o tecido está aderente ou faz uma linha bem pronunciada e a barriga faz uma bolsa em cima dela deve procurar um fisioterapeuta para avaliar a cicatriz e ajudar no processo de a tornar imperceptivel.

Guia para o trabalho de parto – Parte III

Restam apenas alguns instantes para a aterragem e para ter o seu bebé nos braços. Não é hora de desistir. Seguem-se alguns conselhos para terminar em beleza.

Segunda fase do trabalho de parto

O que acontece?

– Esta é a fase de ” fazer força”. Inicia quando a dilatação está completa e termina quando o bebé nasce.

– Pode durar entre 10 minutos a 2 horas

– As contrações são mais demoradas

Conselhos para si

– A força para empurrar é feita durante a contração e quando o profissional dá essa indicação.

– Utilize as técnicas de respiração que lhe foram ensinadas durante as classes

– Não “prenda” a respiração pois vai diminuir a oxigenação do bebé

– Tente relaxar os músculos do pavimento pélvico

Conselhos para o acompanhante

– Ajude-a durante as técnicas de respiração e dê-lhe comandos positivos

– Ajude-a a adotar uma posição confortável entre as contrações

Terceira fase do trabalho de parto

O que acontece?

– Dequitadura: saída da placenta e dos anexos

– Após a saída da placenta, e caso tenha havido episiotomia, os profissionais de saúde cosem nesta altura

Conselhos para si

– A técnica do “pele com pele” permite aumentar o vínculo mãe-bebé

– Pode dar de mamar pela primeira vez

– Relaxe e aproveite o momento

Conselhos para o acompanhante

– Pode cortar o cordão umbilical

– Segure o bebé pela primeira e goze o momento

– Tire fotografias

– Comemore

Esperamos que esta ajuda tenha sido preciosa. Aproveite o momento maravilhoso e único.

Guia para o trabalho de parto – Parte II

Vamos continuar pelo final desta viagem de 9 meses. Já está em trabalho de parto… O que fazer?

Primeira fase do trabalho de parto

O que acontece?

– As contrações tornam-se mais fortes e mais frequentes, com a duração entre 20 a 40 segundos a cada 5 – 10 minutos.

– Quando chegar à maternidade vai ser observada para avaliar a dilatação.

– É feito o “registo”, isto é, avaliação dos batimentos cardíacos do bebé

Conselhos para si

– Prepare-se para contrações fortes e dolorosas, bem como, para a observação (se a bexiga estiver vazia é mais confortável)

– Peça uma massagem nas costas

– Adote uma posição confortável (posições de pé, balançar para a frente e para trás agarrada ao acompanhante e cócoras podem encurtar a primeira fase)

– Respire com calma

Conselhos para o acompanhante

– Não se esqueça de ir ao WC

– Ajude-a a mudar de posição, faça uma massagem, ponha música a tocar e encoraje a respiração calma

– Dê-lhe toda a sua atenção e atue da forma que ela achar melhor

– Controle a duração das contrações

– Apoie nas decisões que ela tomar

– Lembre-se de comer e beber

– Entre as contrações faça-a rir

– Palavras proibidas: CALMA, RELAXA e RESPIRA

Última parte da Primeira fase do trabalho de parto

O que acontece?

– A cérvix abre-se mais depressa

– As contrações são mais fortes, dolorosas e frequentes

– Se ainda não tiver ocorrido a rutura das águas, ocorrerá por esta altura

Conselhos para si

– Lide com uma contração de cada vez. Tente relaxar entre elas

– Respire com calma

– Mude de posição sempre que possível

– Utilize técnicas de relaxamento e distração

Conselhos para o acompanhante

– Confirme se a mãe está numa posição confortável

– Faça massagem

– Ajude na contagem das contrações

– Se se sentir cansado, lembre-se que ela estará mais

– Não se esqueça de comer e beber

Conheça os últimos conselhos no próximo artigo do blog.

Guia para o trabalho de parto – Parte I

Muito se fala em trabalho de parto, mas é importante saber o que acontece em cada momento. Seguem-se alguns conselhos para si e para o seu acompanhante. Juntos vão percorrer o final desta maravilhosa viagem de forma menos atribulada.

Antes do inicio do trabalho de parto (cerca de 1 semana antes)

O que acontece?

– Aumento do corrimento vaginal (claro)

– Saída do rolhão mucoso

– Aumento da energia para realizar atividades domésticas (“fazer o ninho”)

– Aumento das contrações uterinas (preparação do útero) e possivelmente dor lombar

Conselhos para si

– Tenha a sua mala pronta antes das 36 semanas (não se esqueça de revistas, livros ou mp4)

– Considere a possibilidade de ter mais do que um acompanhante

– Reveja o plano de parto

– Continue a praticar os exercícios dos músculos do pavimento pélvico

– Considere colocar um resguardo na cama para o caso de haver rutura das águas (o que só acontece em 10% dos casos)

Conselhos para o acompanhante

– Faça uma lista de contactos telefónicos para avisar toda a gente da chegada do bebé

– Confirme a rota para o hospital, o tempo que demora, se necessita de moedas para o estacionamento ou tenha o número de telefone dos táxis à mão.

– Confirme se tem a carga total no telemóvel e não se esqueça de ter o carregador sempre à mão.

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Episiotomia

Este é mais um dos palavrões utilizados pelos médicos e que assustam as grávidas quando se fala de parto.

A episiotomia é um pequeno corte efetuado na região do períneo (entre a vagina e o ânus), durante o parto normal, com o intuito de facilitar a saída do bebé. Não se preocupe pois não vai sentir dor na altura da episiotomia porque estará anestesiada. Caso não tenha levado epidural é colocado um anestésico local. Mas é normal que sinta dor e desconforto nas primeiras 2 a 3 semanas após o parto. Esta é uma região que cicatriza com facilidade, logo os pontos da episiotomia caem ou devem ser retirados por volta do 5º dia após o parto.

Quem decide se deve ou não fazer uma episiotomia é o obstetra e durante o parto, consoante a evolução do mesmo. Como em qualquer procedimento médico existem benefícios e riscos da sua aplicação e nesta situação, existem também argumentos a favor e contra a sua utilização. Este procedimento é feito com o objetivo de proteger o períneo (evitar a sua laceração), prevenir a incontinência urinária e anal, bem como, o prolapso das estruturas e facilitar a saída do bebé. No entanto, este “corte” não é inevitável e procura-se sempre evitá-lo (ao contrário do que acontecia anteriormente). Uma forma de tentar evitar o recurso à episiotomia é promover o relaxamento e aumento da flexibilidade do pavimento pélvico, no final da gravidez (após as 36 semanas). Para isso, nesta fase deve iniciar a massagem do períneo para promover o alongamento desta musculatura e assim facilitar a passagem do bebé pelo canal de parto.

Mas se a episiotomia for feita é necessário ter alguns cuidados no pós parto para evitar infeções, auxiliar a cicatrização e diminuir a dor na zona do pavimento pélvico.

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Lidar com a dor do trabalho de parto

Não tem nada que enganar…”trabalho de parto” não é uma atividade de lazer…sim, ter um bebé é difícil, duro e doloroso. Mas no final, temos uma grande compensação e esta dor indica-nos que o grande momento, pelo qual esperamos durante os 9 meses, está a chegar! A dor do trabalho de parto deve ser encarada como uma aliada e não como uma ameaça, pois a sua função é clara: mostrar à mulher o caminho a seguir para ajudar o bebé a nascer.

A dor motiva a mulher a adotar posições que ajudam a aliviar o desconforto – andar, colocar de cócoras, mudar de posição – e, simultaneamente, quando a mulher adota estas posturas coloca a bacia num ângulo mais adequado para o bebé ir descendo e passar pelo canal de parto.

A epidural é uma ferramenta fundamental para permitir o alívio da dor, mas as mulheres devem estar preparadas para situações em que não podem levar a epidural. Por isso, é muito importante arranjar outras estratégias para o alívio da dor.

A mobilidade

Andar, mudar de posição ou balançar em cima de uma bola alivia a dor e contribui para a progressão do trabalho de parto. Por um lado, temos a ação da gravidade e por outro o movimento permite que o bebé rode e deslize ao longo do canal de parto. A instrumentalização do trabalho de parto limita muitas vezes a liberdade de movimentos na maternidade (é provável que esteja deitada, ligada a monitores ou a soro), mas se possível mude de posição na cama, coloque-se de cócoras, sente-se na berma ou ponha-se de pé ao lado da cama. E sempre pode adotar todas estas posturas antes de ir para a maternidade (para onde se deve deslocar o mais tarde possível).

A respiração

A respiração não tira a dor, mas ajuda a relaxar e a concentrar-se em algo que não seja a contração. Uma respiração adequada ajuda a que não se descontrole, a diminuir a fadiga e a uma boa oxigenação do bebé. Por outro lado, ajuda a lidar com uma contração de cada vez.

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Técnicas de conforto durante o trabalho de parto

Hoje em dia, muitas mulheres estão à espera de ter epidural durante o trabalho de parto, pois a percepção que têm é de que a dor do trabalho de parto é igual a sofrimento. De fato, a epidural elimina a dor, mas não o receio, a ansiedade, a preocupação, a insatisfação ou o stress provocado pelo trabalho de parto. Para evitar todos estes sintomas é necessário, primeiro que tudo, reconhecer que a dor do trabalho de parto é um processo normal e fundamental para ajudar o bebé a nascer.

Quanto maior for o seu conhecimento e a informação que adquire ao longo da gravidez sobre o trabalho de parto, mais confiante se vai encontrar quando chegar a altura. Ler sobre o assunto, ver vídeos, participar em classes de preparação para o parto, conhecer a sala de partos podem ajudá-la a enfrentar o trabalho de parto com menor ansiedade e de forma mais confiante.

Ter alguém em quem confie e com quem se sinta segura durante todo este processo é também importante para diminuir o desconforto (quer seja o seu companheiro, a mãe ou uma amiga). Preparar um plano de parto que explique exatamente quais os procedimentos que deseja ou não durante o mesmo, pode ajudar a eliminar todos os seus medos e preocupações.

Seguem-se algumas estratégias para diminuir a dor durante o trabalho de parto. Todas elas podem ser treinadas durante a gravidez o que permite interiorizá-las e usá-las com maior facilidade durante o parto.

Técnicas de respiração

Durante a contração, e na fase de dilatação, deve-se respirar de forma lenta e profunda para oxigenar todo o seu corpo, bem como, o bebé. No intervalo das contrações pode respirar-se normalmente. Podemos combinar as técnicas de respiração com os movimentos de alívio da dor. Caso a mulher perca o rítmo, o acompanhante deve olhá-la nos olhos e lembrá-la do ritmo adequado (daí a importância da presença dos acompanhantes durante as classes de preparação).

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